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O Reggae nos festejos
A fé, a fartura e o profano

O Estado do Maranhão, tem duas estações do ano muito bem demarcados: nos seis primeiros meses do ano, é o tempo das chuvas (aqui é o nosso verão) e, no segundo semestre temos o tempo da estiagem, seca (o nosso inverno).

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Essa dinâmica do clima influenciou diretamente a sociedade, assim, é mais comum realizar festejos religiosos durante o segundo semestre, pois, durante as chuvas, as plantações ainda estão crescendo, assim, sendo considerado um tempo de carestia.

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Dessa forma, os festejos, são (e foram) uma forma de partilhar a fé, mas também a fartura entre as comunidades, sendo um momento de alegria, por isso, o reggae está lá. 

A presença das radiolas

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As radiolas vão ser inseridas nos festejos, a partir da modernização da música popular do Maranhão, como vimos em outras páginas do Museu, quando falamos sobre o Pará e o discotecário Carne Seca.

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As festas tinha/tem programações religiosas e profanas, assim a príncipio as eletrolas faziam a festa da juventude do interior do estado nos anos 60 e 70 com ritmos caribenhos, como a salsa e o merengue. 

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Esse eram/são, os momentos profanos dos festejos de santo, assim a partir das primeiras discotecagens e do desenvolvimento da tecnologia das radiolas nos anos de 1980, elas e o Reggae começaram a fazer parte da programação dançante, que pode acontecer antes ou depois do momento sagrado.  ​​

Cartazes da Radiola Estrela do Som

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A população rural no Maranhão é de cerca de 29, 07%  segundo o censo de 2022. Porém, a maioria de nós maranhenses, somos netos ou filhos de lavradores, quebradeiras de coco babaçu, pescadores, enfim de trabalhadores rurais.  Por isso, conservamos muitos valores do campesinato, como guardar a sexta feira santa, por isso não há festa de reggae nesse dia, como demonstrado nos cartazes. 

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Fonte: Instagram, 2023.

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Mas por quê o reggae? Por conta do gosto dos festeiros (quem faz a festa) e dos brincantes. Festejo bom, é o que tem muita gente, muita comida, muita bebida! E, se a galera gosta de reggae, as radiolas são chamadas para tocar.

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Por isso, os radioleiros tem uma agenda super cheia durante o ano inteiro, pois participam de vários festejos dedicados a vários santos pelo Maranhão: seja na capital ou no interior. 

Radiola F. Som no Festejo de Santa Luzia

A festa começa com o teste da Radiola, antes do início oficial. Veja a fascinação do regueiros com paredão de radiolas, que circundam o local. O chão batido e o espaço aberto são adequados para o grave potente das radiolas.  Nesses espaços, o que impera aqui é a diversão da Massa Reggueira. 

A Radiola de Promessa

A resistência negra no Maranhão ao sistema escravista, nos legou a preciosidade nos cultos afro maranhenses, assim, temos uma diversidade religiosa como, o Tambor de Mina, o Terecô e a Pajelança.

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Em muitas festas realizadas com a presença das radiolas podem ser para as entidades cultuadas como os encantados, entidades que gostam do movimento, de beber, de festa, de dançar, gostam de alegria.

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Elas são são assim devido à própria ontologia das entidades, que teriam vindo de África enquanto seres humanos e, aqui, teriam desaparecido e se encantando, passando, assim, a viver na Encantaria, um lugar entre o céu e a terra, com passagens existentes na natureza, como fontes, cachoeiras.​​

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É possível que os encantados, ao se incorporarem, conheçam as formas atuais de diversão. Assim, eles se identificam com o reggae, daí a criação da radiola de promessa como forma de pagamento por parte do festeiro, o responsável pela festa. 

Trailer do magnífico documentário "Radiola de Promessa, da artista visual indígena, Gê Viana

© 2025 por Joyce Oliveira Pereira. Todos os direitos reservados do material escrito.

Criado com Wix.com

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